domingo, 21 de outubro de 2012

Se acaso me quiseres...



Sou dessas mulheres
Que só dizem "sim!",
Por uma coisa à toa,
Uma noitada boa,
Um cinema, um botequim.

E, se tiveres renda
Aceito uma prenda,
Qualquer coisa assim,
Como uma pedra falsa,
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim.

E eu te farei as vontades.
Direi meias verdades
Sempre à meia luz.
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis.

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte:
Te afasta de mim,
Pois já não vales nada,
És página virada,
Descartada do meu folhetim.

Música para acompanhar uma tarde de domingo. Entre tantos trabalhos, uma distração. Ou muita, já que sofro do tic de ouvir a mesma música tantas vezes quanto for possível e imaginável. Muito bom! Lindos Chico Buarque e Luiza Possi!  =)


Um Par



Meu corpo entristeceu.
Estava tão só.
Precisava do teu.
Precisava não ser só.

Relacionamentos também secam





Acho que os relacionamentos podem se tornar secos, como plantas esquecidas e mal aguadas. E que as pessoas são engraçadas. Sim, elas têm muito interesse em inteirar-se cada vez mais da vida outro, e quando descobrem o que lhe interessa não se dão por satisfeitas. Pretendem descobrir os segredos mais íntimos: como o que pensam? E o que sentem em determinado momento, em determinado segundo. O fato é que depois que descobrem ‘tudo” (se é que é possível) não valorizam. Veem em suas frentes rãs dissecadas, sem nenhum batimento, órgão, sem pulsação. Enxergam um ser desinteressante, pois tudo já foi visto e descoberto. Portanto, tenhamos cuidado com os analíticos, cuidado com suas línguas e principalmente, com seus atos. Nossos batimentos agradecem.


domingo, 10 de junho de 2012

El deseo y la gratitud





Rasga 
meu corpo
ensanguentado
que pinga o desejo de querer-te mais...

anular-me ?
aumenta o ar[dor] de não ter
a  força do amar retribuído

o que me resta?
essa besta fera ferida
chamada instinto
que teima em ser amor

O que me contenta?
Teu sorriso acalmado
e teu corpo sorridente
que vibra na inquietude de encontrar
o encaixe que pacifica,
vigora e transborda contentamento.


(Sentinte)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Literatura em Perigo

Ontem li um livro que contribuiu muito para fortalecer minha visão sobre a importância da literatura em nossa vida. O livro A Literatura em Perigo, de Tzvetan Todorov trata-se de um livro tão prazeroso, que ao ler já esboçava um sorriso de satisfação. Deleite e felicidade mesclam-se para fortalecer uma nova compreensão sobre literatura. Logo no Prólogo, o autor expõe sua visão sobre a plenitude da literatura:

“amo porque ela me ajuda a viver. Não é mais o caso de pedir a ela, como ocorria na adolescência, que me preservasse das feridas que eu poderia sofrer nos encontros com pessoas reais; em lugar de excluir as experiências vividas... mais densa e mais eloquente que a vida cotidiana, mas não radicalmente diferente, a literatura amplia o nosso universo, incita-nos a imaginar outras maneiras de concebê-lo e organizá-lo... Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo. Longe de ser um simples entretenimento, uma distração reservada às pessoas educadas, ela permite que cada um responda melhor à sua vocação de ser humano”.

A plenitude que é ser mais humano se torna possível devido a leitura de obras literárias. O interessante é que diferentemente das obras científicas ou filosóficas, os romances tem a possibilidade de convencer sobre temas polêmicos, e através da sua linguagem tornar-se mais convincente ao leitor. Entretanto, essas diversas formas de textos se complementam. Todorov deixa claro que prefere se apoiar no Iluminismo, pois este encaixa-se perfeitamente à literatura que deve ser ensinada em sala de aula, sendo o objeto da literatura a própria condição humana. Já a corrente formalista-niilista-solipsista produz uma imagem empobrecida da arte e da literatura. Para eles, a relação aparente das obras com o mundo é apenas um engodo. Durante o discurso, Todorov critica o modelo de ensino da literatura, julgando-o desinteressante aos olhos dos alunos. Esses não teem acesso ao envolvimento de uma leitura prazerosa, e desta forma pouco conhecem o poder da literatura.

“A literatura pode muito. Ela pode nos estender a mão quando estamos profundamente deprimidos, nos tornar ainda mais próximos dos outros seres humanos que nos cercam, nos fazer compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver. Não que ela seja, antes de tudo, uma técnica de cuidados para com a alma; porém, revelação do mundo, ela pode também, em seu percurso, nos transformar a cada um de nos a partir de dentro”.


Todorov finaliza o livro declarando que nós adultos, devemos transmitir às novas gerações essa herança frágil: as palavras que ajudam a viver melhor. =)

domingo, 3 de abril de 2011

amigo da madrugada

Precisei de um afago que estabilizasse meus ânimos. Nada encontrei além do velho travesseiro que me acompanha todas as noites. Ele guardou minhas lágrimas, secou e esperou que eu dormisse.

terça-feira, 29 de março de 2011

Amadurecer Dói

Amadurecer dói. Ouvi alguém soltar essa frase e, me achando totalmente madura, concordei sem hesitar, no entanto não refleti a profundidade da coisa! Amadurecer é uma dor forçada, uma necessidade que faz você abrir mão de algo pela troca da razão: a razão de seu amadurecimento.

Como irmã mais velha, acredito que já deveria estar predestinada a amadurecer mais cedo: a não pedir mais enquanto meu irmãozinho não ganhasse antes de mim, a sempre guardar pelo pequeno e protegê-lo quando algum garoto ousasse pensar bater nele na escola. Passei por essa etapa facilmente, visto que meu irmão não passou por nenhum apuro enquanto estive por perto.

Mas amadurecer mesmo não é isso, requer sempre mais. A-ma-du-re-cer requer sacrifício, reflexão, bom senso, coerência, humildade, gentileza, boa vontade para ceder, e até que se chegue a um processo de amadurecimento total (se é que seja possível) a verdade é que é bem doloroso. O sacrifício sempre dói, porque crescer dói (e não é sinônimo de velhice não!). Alguns se sentem mais doloridos que outros, mas a dor sempre existe. Vou ser otimista e acreditar que superada algumas fases, darei minha contribuição ao universo sendo uma pessoa bem mais madura.